sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

8 de Dezembro - Viva a Padroeira !


 Mesmo que hoje saibamos diferenciar as crenças - ou pelo menos pensamos saber-, respeitar a diversidade das manifestações culturais e religiosas é uma obrigação cidadã. Porém, o empreendimento cristão com a Igreja Católica nas Américas é ponto fundamental para entendermos diversos aspectos sociais, políticos e culturais do Brasil.
Abaixo, para um melhor entendimento, alguns trechos do resumo sobre a influência católica na nossa história. De Tales Pinto no site Brasil Escola.

"...A chegada de membros do clero católico ao território brasileiro foi simultânea ao processo de conquista das terras do Brasil, já que o reino português tinha estreitas relações com a Igreja Católica Apostólica Romana. A missa celebrada na chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500, foi imortalizada por Victor Meirelles no quadro Primeira Missa no Brasil. A presença da Igreja Católica começou a se intensificar a partir de 1549 com a chegada dos jesuítas da Companhia de Jesus, que formaram vilas e cidades, cujo caso mais célebre é a cidade de São Paulo..."

Quadro de Victor Meirelles retrata a influência da Igreja Católica desde o início da conquista dos territórios brasileiros
"...Vários outros grupos de clérigos católicos vieram também à colônia portuguesa com a missão principal de evangelizar os indígenas, como as ordens dos franciscanos e dos carmelitas, levando a eles a doutrina cristã. Esse processo se interligou às próprias necessidades dos interesses mercantis e políticos europeus no Brasil, como base ideológica da conquista e colonização das novas terras. As consequências foram o aculturamento das populações indígenas e os esforços no sentido de disciplinar, de acordo com os preceitos cristãos europeus, a população que aqui habitava, principalmente através de ações educacionais.

Nas artes, a mais notória contribuição da Igreja Católica na história do Brasil foram as produções artísticas barrocas, que tiveram como principal expoente o artista plástico Aleijadinho. Essas obras podem ser encontradas nas cidades de Salvador, Diamantina, Ouro Preto, Recife e Olinda. Por outro lado, o contato do catolicismo com as religiões africanas produziu sincretismos religiosos, uma mescla das religiões que originou o candomblé, por exemplo.

As relações entre Igreja Católica e Estado foram estreitas no Brasil tanto na colônia quanto no Império, pois, além de garantir a disciplina social dentro de certos limites, a igreja também executava tarefas administrativas que hoje são atribuições do Estado, como o registro de nascimentos, mortes e casamentos. Contribuiu ainda a Igreja com a manutenção de hospitais, principalmente as Santas Casas. Em contrapartida, o Estado nomeava bispos e párocos, além de conceder licenças à construção de novas igrejas"


Em nossa região não foi diferente, as festas comunitárias, procissões, folias de reis, os registros de nascimento e outros aspectos das famílias tradicionais caiçaras, estavam diretamente ligados à religiosidade católica e a função administrativa pelo Estado que a Igreja exercia. Em Paúba, a Capela de Nossa Senhora Imaculada Conceição, festejada em 08 de Dezembro, construída na primeira metade do século XX, possui as seguintes características segundo o livro História e Geografia de São Sebastião... “Uma simples ornamentação de desenhos geométricos na fachada, tipo Bandeira do Brasil, de frontão triangular ladeado de pináculos e pequeno sineiro..." 
A imagem de Nossa Senhora da Conceição data do século XVIII, atualmente se encontra no Museu de Arte Sacra, localizado na antiga Capela de São Gonçalo, no centro histórico de São Sebastião. Os festejos do dia 08 de Dezembro incluíam, missa, procissão e o erguimento do mastro enfeitado para santa, depois seguiam-se os festejos com comes e bebes.
Outro marco relevante para a comunidade é a fundação do Esporte Clube Paúba também em 08 de Dezembro, para este, reservaremos outra postagem especial.... 

Capela Paúba

A direita, a menor das imagens, Nossa Senhora da Conceição em madeira.
 

Paubanos enfeitando o mastro para os festejos da padroeira


Fontes consultadas: 

- Arquivo pessoal do Editor
- PINTO, Tales dos Santos. "A Igreja Católica no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/igreja-catolica-no-brasil.htm>. Acesso em 08 de dezembro de 2017.
- São Sebastião, Prefeitura Municipal de; Secretaria de Educação - Departamento Pedagógico; "São Sebastião História e Geografia". 

Nhandupauba - Paúba

Paúba, ainda resiste, mesmo que a passos muito lentos, aos impactos da ocupação desenfreada e da exploração turística desorganizada que assola o município. Quando me refiro à "impactos da ocupação" e "exploração turística", não é demonizando essas iniciativas, haja vista que são inerentes em qualquer lugar do mundo. Apenas, ratifico, a falta de planejamento estratégico, meta e fiscalização tão primordiais às preservações de aspectos ambientais, urbanísticos e, sobretudo, culturais. Entretanto, os visitantes ainda conseguem perceber alguns aspectos da cultura caiçara por aqui.  Pequena, aconchegante, tranquila com areias brancas e finas, a Praia de Paúba, bairro do município de São Sebastião – (SP), é uma das atrações mais lindas do litoral norte do estado.
O blog surge da necessidade de contarmos histórias, compartilharmos memórias e vivências. Paúba será o centro de nossas discussões, porém, outras praias e situações passarão por este espaço. Transformar esta plataforma num "arquivo digital" da memória e cultura caiçara é o maior dos objetivos.
Sejam bem vindos ! Curtam sem moderações!   

Google Imagens
Tribos indígenas (Tupiniquins / Tupinambás) dividiam e disputavam o território que, hoje corresponde ao município de São Sebastião. Os Tupiniquins mais ao sul, Tupinambás ao norte sendo que a serra de Boiçucanga era a divisa natural das terras das tribos. Destes ancestrais, herdamos significativos aspectos culturais, entre eles, o nome de nossa praia. 

Google imagens

De origem Tupi, “NHANDUPAUBA” significa (Terra entre montanhas ou entre vales). Outras interpretações, oriundas da tradição oral e caiçara, variam entre, Paúba* (Árvore de construir canoa) e Jundú Alto* (Já que segundo alguns relatos, uma extensa e densa vegetação existia, causando dificuldades para o acesso à praia e para a ocupação do espaço).

Imagem do site OGPS.

Após a ocupação da "vila" de São Sebastião, já em meados do século XVI, outras regiões da extensa área foram paulatinamente ocupados. Na Costa Sul, há registros dos séculos XVII e XVIII, em praias como Boracéia, Una e Boiçucanga. Em Paúba não se sabe ao certo quando os primeiros grupos familiares de assentaram, apesar de todas as "contações"... Registros - RPT - (Registros Paroquiais de Terras), em torno de 1850, certificam famílias com a posse de terras. O ato de oficializar a posse destas terras, por ocasião de eventos legais, apontam para indícios de ocupações mais antigas em Paúba, reforçando as teses informais que por afirmam muitos. 
Agricultura de subsistência com ênfase em “roças” de bananas e mandiocas, a pesca artesanal, caça e outras atividades garantiam o sustento destes núcleos bem antes da abertura das estradas. O “escambo” era muito praticado entre os produtores, pescadores e negociantes locais. A pesca artesanal, nas suas mais diversas práticas, até hoje ainda persiste em nossa cultura. Pesca de linha, com redes de tresmalhos, cercos e de arrastos. A pesca de cerco, por exemplo, sempre foi muito explorada e persiste ainda hoje. Chegou-se em décadas passadas, ao número de três redes de cerco, que se dividam em “ranchos” e “camaradagens” distintas.
São inúmeros aspectos para abordarmos nos próximos posts, desde já convidamos todos os leitores escreverem para o canal, enviando informações, fotos e memórias para compartilharmos!
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